Um espaço

Dedicado a recuperação de vidas

Pelo poder do amor!

Causa de recurso

Salve a humanidade

Para ajudá-los a sobreviver

Medecins du Monde Jane Addams reduce child mortality challenges Ford Foundation. Diversification shifting landscape advocate pathway to a better life rights international. Assessmen

DOE agora
Causa de recurso

Doação & Socorro

Dar-lhes uma vida

Medecins du Monde Jane Addams reduce child mortality challenges Ford Foundation. Diversification shifting landscape advocate pathway to a better life rights international. Assessmen

DOE agora

Ninguém se torna pobre dando, DOE!

  • O tratamento etc...

  • Medecins du Monde Jane Addams reduce

  • Medecins du Monde Jane Addams reduce

  • Medecins du Monde Jane Addams reduce

  • Medecins du Monde Jane Addams reduce

Posts do Blog

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Tratamento Maconha


Histórico

As primeiras evidências da inalação de cannabis são datadas do terceiro milênio a.C., tal como indicado pelas suas sementes de cannabis que foram encontradas em um sítio, onde hoje é a Romênia. Os mais famosos usuários de maconha daquele tempo eram os hindus da Índia e do Nepal, os quais deram o nome de ganjika à erva.

A cannabis também foi utilizada pelo povo assírio, que descobriu as suas propriedades psicoativas através dos arianos. Era utilizada em algumas cerimônias religiosas, onde era chamada qunubu (que significa "caminho para a produção de fumo"), provável origem da palavra moderna cannabis. A maconha também foi introduzida pelos arianos aos cítios e trácios/dácios, e os xamanes queimavam flores da cannabis para induzir um estado de transe. Os membros do culto de Dionísio, também inalavam maconha durante as missas.

Hoje, a utilização recreativa da cannabis no mundo ocidental impulsiona uma considerável procura da droga. Ela é a colheita lucrativa com maior dimensão nos Estados Unidos, gerando um valor estimado em US$36 bilhões no mercado. A maior parte do dinheiro não é gasto no cultivo e produção, mas no contrabando e fornecimento para os compradores.
Os estudos demonstram que a maconha é a droga ilícita mais traficada e mais produzida. Todavia, não é a maconha que gera maior demanda para tratamento. Este, por sua vez, é feito de maneira diferenciada nesses casos, havendo promoção da reflexão do paciente.

Maconha – Tipos:

A maconha é extraída da planta cannabis sativa. O skunk é a forma artificial da maconha. Outra modalidade da maconha é o haxixe, sendo de 5 a 10 vezes mais potente que a droga comum. O óleo de hash é ainda mais forte, sendo outra versão da droga.

Maconha – Consumo:

Estima-se que 3,9% da população mundial já consumiu maconha. No Brasil, é no Sul e no Sudeste onde a maconha é mais consumida – inclusive de uso frequente. O uso do skunke e haxixe, no país, ainda é pouco.

A maconha é fumada, mas pode ser misturada com biscoito ou bolo, assim como o haxixe. O óleo de hash é utilizado em cigarros ou cachimbo, pingando-se algumas gotas. Há, também, a ingestão através de chá.

Maconha – efeitos:

A cannabis produz efeitos psicoativos e fisiológicos quando consumida. A quantidade mínima de THC para poder notar-se um efeito perceptível é de cerca de 10 microgramas por quilo de peso corporal. O uso abusivo provoca, além de uma mudança na percepção subjetiva, aumento da frequência cardíaca, diminuição da pressão do sangue, diminuição da coordenação psicomotora, e perda de memória (alterações mais comuns de curto prazo, físicas e neurológicas).

Efeitos psicoativos - Embora muitos fármacos claramente a inserem na categoria de qualquer estimulante, sedativo, alucinógeno, ou antipsicótica, a cannabis contém tanto THC quanto canabidiol (CBD), os quais fazem parte da propriedade dos alucinógenos e principalmente estimulantes.
Estes efeitos são:

Gerais: relaxamento, euforia ligada ao riso descontrolado, pupilas dilatadas, conjuntivas avermelhadas, boca seca, aumento do apetite, rinite, faringite, fadiga crônica e letargia, náusea crônica, dor de cabeça e irritabilidade.
Neurológicos: comprometimento da capacidade mental, alteração da percepção, alteração da coordenação motora, maior risco de acidentes, voz pastosa (mole), alterações de memória e da concentração, alteração da capacidade visual e alteração do pensamento abstrato.
Psíquicos: despersonalização, ansiedade/confusão, alucinações, perda da capacidade de insights, aumento do risco de sintomas psicóticos entre aqueles com história pessoal ou familiar anterior, depressão e ansiedade, mudanças rápidas de humor, irritabilidade, ataques de pânico, tentativas de suicídio e mudanças de personalidade.
Cardiovasculares: aumento dos batimentos cardíacos e aumento da pressão arterial.
Respiratórios: tosse seca, dor de garganta crônica, congestão nasal, piora da asma, infecções frequentes dos pulmões e bronquite crônica.
Reprodutivos: infertilidade, problemas menstruais, impotência e diminuição da libido e da satisfação sexual.
Sociais: isolamento social e afastamento do lazer e de outras atividades sociais.
Abaixo segue uma foto da Uniad/Unifesp que relaciona todos os efeitos agudos e crônicos da maconha
Tratamento maconha – Efeitos do uso da maconha na cognição e contribuições da neuropsicologia:

Bem se sabe que o uso da maconha afeta, diretamente, tanto o lado físico e motor quanto o lado psíquico. As pesquisas vêm demonstrando que a maconha afeta, sobretudo, as funções cognitivas: percepção visual, auditiva e tátil. Afeta, também, as chamadas funções executivas: capacidade de resolver problemas ou estabelecimento de objetivos. A memória também é afetada, assim como a orientação (consciência de si em relação ao que lhe cerca), atenção (distração) e percepção (capacidade de reconhecimento).

Estudos feitos com usuários de maconha apuraram outras consequências do uso da droga, como o aumento da frequência cardíaca, diminuição na velocidade de respostas – apesar de a performance não ter sido alterada. Também se notou aumento do fluxo sanguíneo, dificuldade de atenção e possibilidades de haver alucinações ou ilusões visuais e auditivas. Em suma, o uso da droga altera o tempo de execução e o modo do desempenho, isto é, a qualidade do ato executado.

Há que se ressaltar, ainda, que o uso da maconha pela mulher gestante gera danos ao feto, fazendo com que esse indivíduo tenha prejuízos futuros relativos à memória visual, análise e integração de dados.

Os dependentes da maconha, de conduta depressiva, irritável, impulsiva, descontrolada e deficiente são indivíduos que, inicialmente, negam a doença e se deixam levar pela recompensa imediata da droga, ignorando as consequências negativas em longo prazo.

Tratamento Crack


O que é o crack?

O crack é uma forma distinta de levar a molécula de cocaína ao cérebro. Sabe-se que a cocaína é uma substância encontrada em um arbusto originado de regiões dos Andes, sendo a Bolívia, o Peru e a Colômbia seus principais produtores. Os nativos desta região mascam as folhas da coca desde antes da chegada dos conquistadores espanhóis no século XVI. No século XIX, a planta foi levada para a Europa onde se identificou qual era a substância que provocava seu efeito. Esta foi, então, chamada de cocaína.

A partir daí, processos químicos passaram a ser utilizados para separar a cocaína da folha da coca, gerando um pó branco, o cloridrato de cocaína. Desde o século XIX, este pó branco é utilizado por usuários de cocaína seja por meio de sua inalação nasal, seja dissolvida em água pela sua injeção nas veias. Utilizando diferentes processos de fabricação, além do pó branco, podem ser produzidas formas que podem ser fumadas. São elas: a merla, a pasta de coca e o crack.

Estas diferentes formas de administração da molécula de cocaína (inalada, injetada ou fumada) têm efeitos distintos no indivíduo. Quando a droga é fumada, isto faz com que grande quantidade de moléculas de cocaína atinja o cérebro quase imediatamente produzindo um efeito explosivo, descrito pelas pessoas que usam como uma sensação de prazer intenso. A droga é, então, velozmente eliminada do organismo, produzindo uma súbita interrupção da sensação de bem-estar, seguida, imediatamente, por imenso desprazer e enorme vontade de reutilizar a droga. Esta sequência é vivida pelos usuários com um comportamento compulsivo em que os indivíduos caem, com frequência, numa espiral em que os atos de usar a droga e procurar meios de usar novamente se alternam cada vez mais rapidamente. Outra diferença entre o crack e a cocaína em pó é que, para os produtores de drogas, o crack é muito mais barato. Em resumo, o crack é uma forma muito barata de levar as moléculas de cocaína ao cérebro em segundos provocando efeito muito intenso.

Crack – uma droga poderosa:

O Crack é uma substância proveniente do resultado da mistura de cocaína e substâncias alcalinas, como o bicarbonato de sódio. Seu ponto de ebulição é baixo por ser de natureza básica e por isto pode ser fumado. O aquecimento desta mistura provoca precipitação de cristais de cocaína. São fumados em cachimbos.

O crack é a maneira mais prejudicial do uso da cocaína, ganhando largo espaço entre os dependentes, formando um quadro preocupante na saúde pública, tal qual, ou pior, do que já o é o uso da cocaína.

O que mais se tem percebido é a mudança do uso comum da cocaína para a administração do crack, sendo hoje uma das principais drogas que causam a morte, além dos fatores diversos, como desemprego, sofrimento psíquico e degradação familiar, social, moral etc.

Especialistas que conhecem a fundo os efeitos do crack no organismo dizem que não basta uma tragada para que o usuário fique viciado, mas tornar-se um dependente químico é um processo rápido. Fazer o caminho contrário, contudo, é muito difícil, porém é necessário um tratamento para crack.

Como já foi dito, o crack funciona como uma versão barata da cocaína. Em ambos os casos, há a diferenciação do querer e do gostar: muitos ultrapassam a fase do uso em que virtude do gostar, mas continuam se valendo porque querem e precisam da droga. Isto ocorre porque ambas as ocasionam déficit cognitivo, diminuindo o discernimento do indivíduo. Além desses problemas, é comum, também, os usuários se valerem de outras drogas, como álcool e maconha.

O Crack é uma droga poderosa, capaz de mudar o comportamento do indivíduo deixando-o pouco disponível para o tratamento de crack. Além disso, apesenta alta taxa de mortalidade, especialmente durante os primeiros anos de consumo.

Crack – O Desafio deste século

O abuso do crack é um desafio por suas consequências agudas e crônicas nas esferas física, psíquica e social:

Esfera Social

Agravamento das precárias condições sociais de população vulnerável, como crianças e adolescentes.

Maior envolvimento com o tráfico, atos ilegais, prostituição e violência.

Problemas familiares graves.
Marginalização do usuários dependentes, sendo inclusive causa de muitos assaltos e roubos, para que este consiga a droga.

Esfera Psíquica

Rapidez de desenvolvimento de dependência com grande compulsividade

Abstinência marcada pela instabilidade, impulsividade e agressividade

Desencadeamento ou agravamento de comorbidades psíquicas como ansiedade, depressão e quadros psicóticos

Esfera física

Desnutrição

Problemas Cardiovasculares e Pulmonares

Problemas e danos Neurológicos

Exposição à AIDS e DST

A chegada do crack ao Brasil: os primeiros dez anos

Há poucos relatos sobre como o crack chegou ao país. As poucas informações são geralmente provenientes da imprensa ou de órgãos policiais.

As apreensões de crack realizadas pela Polícia Federal se iniciaram a partir dos anos de 1990 aumentando 166 vezes no período de 1993 a 1997, enquanto apreensão da pasta básica, no mesmo período na Região Sudeste, aumentou 5 vezes. Algumas evidências apontam para o surgimento da substância em bairros da Zona Leste de São Paulo (São Mateus, Cidades Tiradentes e Itaim Paulista) para, em seguida, alcançar a região da Estação da Luz (conhecida como Cracolândia) no centro da cidade.

Levantamentos epidemiológicos não detectavam a presença do crack antes de 1989 - tomando os meninos em situação de rua como exemplo, não havia relato de consumo até o referido ano.

Os serviços ambulatoriais especializados começaram a sentir o impacto do crescimento do consumo a partir do início dos anos 90, quando em alguns desses serviços a proporção de usuários de crack pulou de 17% (1990) para 64% (1994), entre os dependentes de cocaína que buscavam tratamento para crack.

A primeira investigação sobre o consumo de crack no Brasil foi um estudo etnográfico realizado no município de São Paulo, com 25 usuários vivendo na comunidade. Os autores relataram que o aparecimento da substância e a popularização do consumo tiveram início a partir de 1989. Perfil dos pesquisados: homens, menores de 30 anos, desempregados, com baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo, provenientes de famílias desestruturadas. Estudos com usuários de diversos serviços da capital paulista retrataram um perfil semelhante.

A mortalidade atingiu uma porção considerável desses usuários: 18% de uma amostra de 131 pacientes internados para desintoxicação na cidade de São Paulo morreram nos cinco anos que sucederam à alta, sendo os homicídios a causa mais frequente.
Um amplo levantamento epidemiológico em Belo Horizonte (MG) chegou à mesma conclusão: uma relação intrínseca entre homicídios e crack, tendo o tráfico de drogas como o motivador das mortes. A relação entre o tráfico de drogas e o aumento das taxas de homicídio também foi documentada por estudos em outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Crack no Brasil – Atualidade

O histórico do uso de crack no Brasil passou por consideráveis mudanças nos últimos vinte anos e se tornou uma realidade grave e perene que necessita de soluções específicas e com durabilidade semelhante.

Nas duas últimas décadas, houve crescimento importante do consumo de crack no Brasil e no mundo, tornando-se um problema de saúde pública.

Um fenômeno, pelo impacto individual e social que causa, inúmeros estudos correlacionam o consumo desta droga ao aumento da violência e criminalidade. O tratamento de crack é difícil e tem desafiado os especialistas, mas algumas intervenções têm apresentado resultados promissores.

O perfil de seus consumidores, jovem, desempregado, com baixa escolaridade, baixo poder aquisitivo, proveniente de famílias desestruturadas, com antecedentes de uso de múltiplas drogas e comportamento sexual de risco, deixou de ser uma realidade única. O uso de crack vem se iniciando em idades cada vez mais precoces, alastrando-se pelo país e por todas as classes sociais, com facilidade de acesso e quase sempre antecedido pelo consumo de álcool.

Em vista disso, as políticas públicas brasileiras deveriam prevenir o consumo nessas populações, com tratamento para crack visando primeiramente a programas efetivos de prevenção de consumo de drogas lícitas e atentando para a geopolítica das drogas.

Desse modo, há necessidade de modelos de atenção capazes de reduzir o custo social das drogas e que considerem sua natureza biológica e psicossocial. Outras dificuldades encontradas pelo usuário de cocaína e crack para a busca e adesão ao tratamento de crack são o não reconhecimento do consumo como um problema, passando pelo status ilegal e a criminalidade relacionada a essas drogas, pela estigmatização e preconceitos, pela falta de acesso ou não aceitação dos tipos de serviços e tratamento de crack existentes.

O crack é uma droga que causa dependência com muita rapidez. Para o usuário se recuperar, a ajuda precisa vir na mesma velocidade. O primeiro passo é buscar ajuda de profissionais especializados e iniciar o tratamento para crack. No Brasil existem instituições que prestam atendimento tanto para a família quanto para o dependente.

Há diversas abordagens para quem deseja se recuperar da dependência do crack. Não há um tratamento para crack único, que seja apropriado para todos os casos. Há um consenso de que a dependência exige um tratamento para crack difícil e complexo, pois é uma doença crônica e grave que deverá ser acompanhada por longo tempo. Técnicas e sistemas podem ser combinados sempre que necessário, de acordo com tipo de ambiente, intervenção e serviço mais adequado para cada problema ou necessidade do paciente. Buscar a modalidade que melhor se encaixa em cada caso contribui para o sucesso na recuperação e para o retorno a uma vida produtiva na família, no trabalho e na sociedade.

É preciso diversificar as opções de atendimento e tratamento para crack, por meio da criação de equipamentos intermediários ao ambulatório e à internação, como moradias assistidas e hospitais dia (e noite)para o tratamento de crack. Além disso, é preciso integrar melhor a rede existente, incluindo um melhor entrosamento entre a rede pública e os grupos de auto ajuda e as comunidades terapêuticas que souberem se modernizar e se adaptar às normas mínimas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Tais ações de tratamento para crack são aparentemente simples, baratas, comprovadamente eficazes e poderão alterar positivamente o panorama de saúde pública relacionada a essa substância nos próximos anos.

Como outras doenças crônicas, os dependentes necessitam de longo tratamento de crack e acompanhamento.

Tratamento Cocaína


A cocaína é um alcalóide natural extraído da planta Erythroxylon coca, estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC) e anestésico local.

Pode provocar efeitos físicos e psíquicos agudos importantes, tanto em usuários crônicos, eventuais ou iniciantes, instabilizar problemas clínicos de base ou ainda gerar complicações clínicas pelo uso prolongado.

O uso da cocaína cresceu largamente ao longo dos anos. Os efeitos que a substância causa variam de acordo com a dose, as características individuais do usuário e o modo de administração.

Boa parte dos indivíduos faz uso de cocaína associado a outras drogas depressoras do SNC (álcool, benzodiazepínicos e maconha, no contexto brasileiro, e opióides), visando a contrabalançar os efeitos simpatomiméticos (estimulantes) da droga. Pode haver dependência de álcool associada, produzindo sinais e sintomas de abstinência e/ou delirium, nos dias seguintes à administração da droga.

A cocaína e o crack vendidos nas ruas, por sua natureza ilícita, não têm controle de qualidade e possuem toda a sorte de adulterantes e métodos de refino e alcalinização duvidosos, aumentando ainda mais a vulnerabilidade dos usuários.

A presença da cocaína em nosso cotidiano e sua capacidade geradora ou desencadeadora de complicações focais e sistêmicas, torna-a um diagnóstico diferencial importante para o clínico e o psiquiatra nas salas de emergência e requer uma avaliação além do olhar puramente psíquico e fenomenológico.

Tratamento para cocaína - Avaliação clínica de usuários e dependentes:

A avaliação clínica deve levar em conta, além da pesquisa detalhada do histórico clínico do indivíduo, as informações provenientes de prontuários, familiares, amigos ou até mesmo funcionários. Também são levados em conta fatores como a via de administração, a duração dos efeitos e o uso de outras substâncias. Exames laboratoriais também têm grande relevância, assim como exames físicos.

Tratamento para cocaína - Administração e biodisponibilidade

A cocaína pode ser utilizada por qualquer via de administração: oral, intranasal, injetável ou pulmonar. A via escolhida interfere na quantidade e na qualidade dos efeitos provocados pela substância. Quando maior e mais rápido o início e a duração dos efeitos, maior a probabilidade de dependência e abuso. As particularidades de cada via expõem os usuários a determinados riscos, tais como contaminações pelo compartilhamento de seringas, exacerbação de quadros asmáticos, rinites persistentes, dentre outros.

A administração oral, o hábito de mascar ou tomar chás de folha de coca, é secular e cultural nos países andinos, por suas características reativantes e anorexígenas. As folhas têm baixa concentração de cocaína (menos de 2%), com chances remotas de intoxicação. Apenas 2 - 3% da cocaína ingerida por via oral é absorvida pelo organismo, os efeitos iniciam-se cerca de 30 minutos depois e duram cerca de 90 minutos.

A via intranasal ou aspirada têm biodisponibilidade de 30%. Boa parte do pó refinado prende-se a mucosa nasal, onde é absorvido pela circulação local. O efeito da cocaína pode ser sentido minutos após a primeira administração, com duração de 30 a 45 minutos.

A cocaína fumada era pouco utilizada até o aparecimento do crack. A pasta da cocaína, produto intermediário do refino, é obtido após a maceração e tratamento das folhas de coca com ácido sulfúrico, alcalinos e querosene. O refino e obtenção do cloridrato de cocaína se dá a partir da acidificação da pasta, com ácido clorídrico.

A cocaína refinada é ácida e por isso pouco volátil e sujeita à degradação em altas temperaturas. A pasta e o crack, de natureza básica, têm pontos de ebulição mais baixos e podem ser fumados. A fumaça inalada é composta por vapores de cocaína (6,5%) e minúsculas partículas de cocaína (93,5%). Ambos podem ter de 20 a 85% de substância ativa, seus efeitos são sentidos em menos de 10 segundos e duram de 5 a 10 minutos. O índice de absorção variável: 6 - 32%.
A cocaína injetável começa a agir no sistema nervoso central de 30 a 45 segundos após a aplicação. A via elimina a etapa da absorção e o efeito de primeira passagem hepática. Desse modo, o aproveitamento da cocaína é de 100%, sendo necessária uma dose 20% menor daquela ingerida ou aspirada. O efeito euforizante dura cerca de 20 minutos.

Tratamento para cocaína - Sintomas:

A sintomatologia do uso da cocaína se divide em:

Intoxicação: alterações comportamentais ou psicológicas; euforia; hiper vigilância, ansiedade, sudorese, calafrios, náusea, vômitos, convulsões, coma, taquicardia, hipertensão e arritmia.

A estimulação do Sistema Nervoso Central produz ansiedade, psicoses e convulsões. O aumento do metabolismo e a hiperatividade podem levar à hipertermia e rabdomiólise.

Compulsão e Abuso: A cocaína é capaz de estimular o sistema de gratificação do Sistema Nervoso Central, mediado principalmente pela via dopaminérgica do sistema de reforço cerebral. A atividade do sistema parece contribuir para os comportamentos de busca compulsiva e abuso da substância. O que gera o não cumprimento de obrigações; uso da substância em momentos de risco; problemas legais; uso continuado e abusivo.

Abstinência: humor oscilante, fadiga, sonhos vívidos, insônia, hipersonia, hiperfagia, retardo ou agitação.

A tolerância para os efeitos euforizantes desenvolve-se com alguma rapidez, principalmente no uso compulsivo. Advém da hiper metabolização da dopamina liberada na sinapse, do aumento nos limiares de estimulação dos auto receptores e na diminuição dos impulsos pré sinápticos. Por outro lado, há uma tolerância reversa (fenômeno conhecido por sensibilização) para os sintomas motores, com piora dos movimentos estereotipados, inquietação e dos níveis de ansiedade.

Dependência: esforço mal sucedido no sentido de reduzir ou parar; aparição de sintomas de abstinência quando cessado o uso; frequência no uso; tempo longo gasto na obtenção da droga; grande tolerância à substância.

Tratamento para cocaína - Problemas específicos: (Foto Uniad / Unifesp)

Aparelho respiratório - O acometimento pulmonar é uma complicação relacionada ao uso do crack. Os usuários comumente apresentam dores torácicas, tosse, hemoptise, que podem ser devidas a várias condições clínicas, como atelectasias, pneumo mediastino, pneumotórax e hemopneumotórax. Pode haver exacerbação de quadros de asma, injúrias térmicas nas vias aéreas, deterioração da função pulmonar, bronqueolite obliterante, edema pulmonar não-cardiogênico e infiltrado pulmonar.

Quadros respiratórios agudos são altamente prevalentes após cerca de 1 a 12 horas de uso. Os principais sinais e sintomas são: tosse produtiva com escarros enegrecidos, hemoptise, dor à inspiração profunda, palpitações cardíacas, piora discreta da capacidade pulmonar.
O uso da cocaína aspirada está associada ao aparecimento de rinites alérgicas ou vasomotoras, sangramento, ulceração ou perfuração do septo nasal, sinusite ou colapso nasal. Além disso, o uso pronunciado de descongestionantes nasais por esses indivíduos por longo período acaba por deixá-los dependentes do uso continuado do produto, a fim de evitar efeitos-rebote e desconforto na respiração via nasal.

Aparelho cardiovascular - Os usuários de cocaína endovenosa facilitam o aparecimento de complicações secundárias à ruptura da camada protetora da pele. São mais suscetíveis ao aparecimento de celulites e abscessos, vasculites e endocardites.

Sistema nervoso central - Acometimentos centrais relacionados à cocaína encontrados na literatura são os transtornos dos movimentos (tiques, reações distônicas), encefalites fúngicas e abscessos cerebrais. Atrofias cerebrais não-relacionadas a infecções, AVC ou traumatismos já foram detectados em usuários crônicos.

Fígado, hepatite e HIV - O uso de cocaína intravenosa por algumas horas aumenta reversivelmente as transaminases hepáticas. A prevalência de infecções pelo vírus da hepatite B e C e pelo HIV é maior nessa população, devido ao compartilhamento das seringas. Os usuários de crack expõem-se mais a atividades sexuais de risco, muitas vezes com o intuito de trocá-las pela substância, e por isso estão suscetíveis as mesmas infecções.

Tratamento Dependência Química



Dependência química – Diagnóstico (conceitos básicos e classificação geral)

O conceito de dependência química, apesar de variado, ainda não encontra um padrão. A dependência, portanto, tem sua definição dividida em quatro modelos:

Modelo de doença – a dependência química como transtorno primário e independente de outras condições, uma herdada suscetibilidade biológica aos efeitos do álcool ou drogas. As principais características da dependência, de acordo com esse modelo, são: a perda de controle sobre o consumo de álcool ou drogas; a negação; o uso continuado a despeito de consequências negativas e um padrão de recaída.

Modelo de comportamento aprendido – este modelo vê a dependência química como um comportamento adquirido, pois se acredita que os comportamentos são aprendidos ou condicionados. Logo, nele os problemas comportamentais, incluindo pensamentos, sentimentos e mudanças fisiológicas poderiam ser modificados pelos mesmos processos de aprendizagem que os criaram.

Modelo psicanalítico – a dependência química é entendida como tentativa de retonar a estados prazerosos da infância. Esta teoria vê o uso (álcool e drogas) como uma forma em que o indivíduo tenta se adaptar a seus déficits de auto-regulação, que emergiram de privação ou de interações disfuncionais na primeira infância. Essas teorias têm sido rotuladas como "hipótese de auto medicação". De acordo com essa hipótese, algumas deficiências do indivíduo poderiam levar a problemas com abuso de substâncias: como os déficits na tolerância aos afetos, os prejuízo nas habilidades de auto proteção, a vulnerabilidade no desenvolvimento da auto estima e os problemas na construção dos relacionamentos e intimidade.

Modelo familiar – correlaciona a dependência química com padrões familiares. Este modelo contribuiu muito para o entendimento da dependência, principalmente no que diz respeito ao conceito de equilíbrio e à importância das regras e metas que governam os relacionamentos familiares e como elas contribuem para a manutenção do uso de substâncias.

Dependência química – Um problema biológico, psicológico, social, cultural e espiritual

Há um quinto modelo que concebe a dependência química como sendo um fenômeno biopsicossocial. Este modelo tenta integrar as contribuições de todos os quatro anteriores em uma teoria unificada.

Parece haver um componente biológico herdado nos transtornos de abuso a substâncias, mas este componente isolado não explica a complexidade do fenômeno. Fatores psicológicos, sociológicos, culturais e espirituais desempenham um importante papel na causa, curso e resultados da dependência química.

Conceito de dependência química: Uso esporádico, abuso e dependência

Não existe uma fronteira clara entre uso, abuso e dependência; todavia, esses conceitos são assim distinguidos:

Uso: Qualquer consumo de substâncias psicoativas, seja para experimentar, seja esporádico ou em episódios distintos.

Abuso: É o uso nocivo, onde o consumo de substâncias já está associado a algum tipo de prejuízo (biológico, psicológico ou social);

Dependência: Consumo sem controle, geralmente associado a problemas sérios para o usuário e com prejuízos reais a saúde física, financeira, psicológica, social e mental.

Estes conceitos passam uma idéia de continuidade, como uma evolução progressiva entre esses níveis de consumo: os indivíduos passariam, inicialmente, por uma fase de uso, alguns deles evoluiriam posteriormente para o estágio de abuso e, finalmente, alguns destes últimos tomar-se-iam dependentes. Portanto nem todo uso ou abuso progride para a dependência.

O uso precoce, porém, tende a gerar problemas futuros mais sérios. É válido lembrar, contudo, que não existe fator que determine se as pessoas se tornarão dependentes.

Dependência química - Critérios diagnósticos

Os critérios para diagnosticar a dependência química de acordo com o DSM-IV, dependência de substâncias é:

Um padrão desadaptativo de uso de substância, provocando comprometimento ou sofrimento clinicamente significante, manifestado por três (ou mais) dos seguintes, ocorrendo a qualquer tempo no mesmo período de 12 meses:

Tolerância, definida por qualquer dos seguintes:

- Necessidade de quantidades marcadamente maiores da substância para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.

- Efeito marcadamente diminuído com o uso continuado da mesma quantidade da substância.

Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes:

- Síndrome de abstinência característica da substância.

- A mesma substância (ou proximamente relacionada) é utilizada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.

A substância frequentemente é utilizada em quantidades maiores ou por um período de tempo mais longo do que pretendido.

Há desejo persistente ou esforços sem sucesso para diminuir ou controlar o uso da substância.

Uma grande quantidade de tempo é gasta em atividades necessárias para obter a substância (por exemplo, visitando múltiplos médicos ou dirigindo longas distâncias), utilizando a substância (por exemplo, fumando um cigarro depois do outro), ou se recuperando dos seus efeitos.

Atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas devido ao uso da substância.

O uso da substância é mantido apesar do conhecimento da ocorrência de problema físico ou psicológico recorrente ou persistente que provavelmente foi causado ou exacerbado pela substância (por exemplo, uso atual de cocaína não obstante o reconhecimento de depressão induzida por ela, ou ingesta alcoólica continuada apesar do reconhecimento que uma úlcera piorou em consequência do consumo de álcool).